S. MARTINHO DE ANGUEIRA (San Martino)
Área: 36,8 Km2.
Coordenadas: 41° 38' N 06° 20' W.
Densidade populacional: 9,8 hab./Km2.
População residente: 359 indivíduos.
Edifícios: 321.
Núcleos familiares residentes: 113.
Orago: São Pedro.
Terreno: Implantado num vale ao longo do Rio Angueira, é o único aglomerado e sede da Freguesia. No extremo norte do Concelho de Miranda do douro, confinante com território espanhol.
Acessibilidades: A acessibilidade a Miranda do Douro é garantida pelas E.M.'s 542 e 544, distando desta cerca de 25 km. A E.M. 542 possibilita ainda ligação ao exterior quer ao Concelho vizinho de Vimioso (lig. S. Martinho de Angueira - Avelanoso) quer a Espanha (fronteira de Três Marras) Alcanices.
Património: Igreja Matriz e a Capela do Stº Cristo, cruzeiros, um castro romanizado no seu termo e vestígios de arte rupestre no sítio do "Rebolhão. É, no entanto um aglomerado rural típico da região, onde predomina o xisto vermelho e o granito na estrutura
Actividades económicas: Agricultura, pecuária e comércio
Festas e Romarias: Santa Cruz (2 a 4 de Maio), N. Sra. do Rosário (Festa dos Pauliteiros) – (penúltimo dom. de Agosto) e S. Martinho (11 de Novembro)
Gastronomia: Posta mirandesa, churrasco de cordeiro, fumeiro
Artesanato: Cestaria, colchas, rendas, gaitas de foles, flautas castanholas, escanos, escultura em madeira.
Colectividades: Associação Cultural e Recreativa Amigos de S. Martinho, Associação de Caça e Pesca S. Martinhense, "FLORESTÁGUA" – – Associação de Produtores Florestais e Regantes , Cooperativa Agrícola de S. Martinho e Lar Paroquial.
Equipamentos sociais: a freguesia conta, há algum tempo, com um moderno Lar de Terceira Idade. Este, por sua vez, fica implantado na antiga “Cortinha da Abadia” e é distribuído por três pisos com ligação por elevador. Tem capacidade para vinte idosos em sistema de internato e trinta em sistema de externato. Neste último, os idosos contam com a assistência domiciliária e a limpeza de roupas. A freguesia possui também uma Casa do Povo que presta diversos serviços aos residentes. Neste edifício realizam-se, ao longo do ano, vários eventos culturais e desportivos de modo a reunir os habitantes.
Igreja Matriz
Este templo tem S. Pedro por orago. Interessa-nos sobretudo a sua espacialidade interior. O arco cruzeiro, datado de 1747, relaciona a capela maior com o corpo em cujas ilhargas se definem algumas capelas. No lado da epístola, a capela da Senhora do Rosário abre-se para a nave através de um arco pleno sobre pilastras de capitéis dóricos. No intradorso do fecho lê-se o cronograma de 1833. Já no lado do evangelho, alinham-se as capelas das Almas, junto ao presbitério, e a de Nossa Senhora da Purificação. Comunicando entre si, estes espaços abrem-se também para a nave pelo lançamento de dois arcos de grande vão que ou repousam em pilastras ou arrancam do pavimento, como acontece na capela da Purificação. Seja como for, a amplitude destas arcadas, implicam uma organização espacial muito próxima das soluções apresentadas por algumas igrejas de duas naves.
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
sanmartineiro na aventura
Boas noites.
Mando esta notícia das minhas férias para blogarem.
Como nem só no Verão se pode desfrutar da natureza, decidi ir passar uns dias pelo interior transmontano. Seguindo o curso da Foz para a Nascente do rio Sabor.
Foram 6 dias a caminhar e 4 noites a dormir em bivaque, com as estrelas como companhia.
Comecei no Pocinho, após ter lá chegado de comboio. E terminei a primeira parte em Mogadouro. Pelo meio vi as obras de construção da barragem do baixo Sabor e toda a zona que vai ficar alagada.
Fiz dois dias de intervalo, com viagens de autocarro até São Martinho e depois até Bragança. Aí retomei o rio até ao interior do Parque Natural de Montesinho. Foram mais 3 dias a caminhar para tentar chegar à nascente do rio, que já fica em Espanha. Apenas consegui chegar à Zona da Lama Grande, quase no topo da serra. O tempo estava péssimo, com a muita chuva, vento e nevoeiro. Decidi voltar para baixo não fosse perder-me por aqueles montes ermos. Curioso foi, as únicas pessoas a ter encontrado lá em cima na serra ter sido uma patrulha da Cinotecnia da GNR. E um dos guardas era o Vítor, nosso Conterrâneo.
No fim desse passeio regressei a São Martinho, para a festa do São Martinho. E que grande festa que foi! Comida não faltou, animação também não.
Mais fotos em:
http://picasaweb.google.pt/fernandesbjp/RioSaborNovembro2009#
A reportagem para o jornal A voz do Nordeste: http://www.avoz.net/net.pdf
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
cochinico
no ano passado correu bastante bem.....
este ano vamos repetir.....
para estares presente é necessário inscrever-te.
a matança do cochinico será dia 28 pelas oito matinais.
o local é o do ano passado no "meio lhugar"
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
mais um samartino
o aspecto geral da festa
não faltou nada
a tradição altera-se com as novas tecnologias
dizem que é melhor.....
mas as sardinhas não faltaram
nem a boa disposição do "vitor arribas" para o bailarico....
quanto aos novos mordomos....a festa promete......
para o ano há mais samartino.
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
festa de san martino 2009

a lenda toda a gente a conhece.......
a festa já existe há uns anos......
as sardinhas ou seja a sardinhada toda a gente sabe que é tradição.....
o vinho costuma ser bom.....ou menos bom conforme a quantidade...
mas uma coisa é certa, que se festeja a festa, este sabado dia 14 de Novembro à hora do costume.
mas isto é para quem só pode ir no fim de semana pois ontem dia 11 (dia de samartino) iniciaram-se as festividades onde o vinho os vizinhos e as castanhas, bem como tudo o que temos direito não faltou....
como sempre só faltou quem não la esteve...
tenta aparecer pois sem ti a festa não é igual......
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
tear_curso de tapeçaria
“Tear – aparelho de origem milenária no qual se procede à tecelagem, e cuja presença se assinala em quase todo o mundo, quer nas suas formas mais rudimentares, quer nas mais evoluídas. Em Portugal, o tear primitivo parece ter sido o vertical; substituído mais tarde pelo tear horizontal trazido para a Península pelos Romanos e ainda hoje é usado em certas regiões do País. É constituído por uma tosca armação de madeira apoiada em quatro fortes prumos, à qual se prendem as peças essenciais do tear: os órgãos, de trás e da frente, dois rolos de madeira entre os quais se mantém esticada a teia e enrolando-se no da frente o tecido já pronto; os liços, que a cada passagem do fio ou trama, levado pela lançadeira, invertem a posição dos fios da teia, criando nova cala ou passo por onde a lançadeira passará novamente, em sentido oposto; o pente, com o qual o tecelão empurra e aconchega o fio da trama, passando na teia, de modo a assegurar a regularidade do tecido.”
in “ A Enciclopédia”, Editorial Verbo - Público, volume 19, pág. 8131
Provérbios do São Martinho
· A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.
· A cada porco vem o seu S. Martinho.
· Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.
· Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
· No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
· No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
· No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
· No dia de S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.
· No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
· No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
· No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
· Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.
· Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
· Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
· Pelo S. Martinho nem nado nem no cabacinho.
· Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
· Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
· Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
· Veräo de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.
· Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
a "machorra"
A festa da “machorra” que se realizava, antigamente, no dia de Todos os Santos, era restrita aos rapazes solteiros que se juntavam para comer uma ou mais ovelhas “machorras” (inférteis), regadas por muito vinho.

como não foi possivel arranjar uma "machorra" ficamo-nos por umas cachoulas e umas cristas assadas na brasa.

petisco que poucos sabem o sabor....
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
die mundial de la 3ª idade
qual é a idade da 3ª idade?
perguntamos pois 90% dos habitantes de samartino estão nessa idade.
Ou já lá estás.
Caminhamos para lá....
La bida ye cúrta

Naces sin pedir i morres sin querer!
Aprobeita l'anterbalo
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
informação samartineira
as castanhas já pingam
as bobidas estão a chegar ao fim....
o vinho já está estrefegado....
a tranca na porta.....
e tudo isto para quê?
pois temos a comunicar que se aproxima a Festa de Samartino (pão,sardinhas,vinho e arraial) e mais tarde, pouco mais tarde em dezembro a ceita d´al cochinico voltará a atacar.
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
a escola
por fim deram utilidade a escola.....
tem alunos novos e pelo menos por algum tempo......
não há melhor do que as imagens para descrever os nossos novos alunos...





Aqui vai o curriculum do curso feito pela responsável deste.
O curso chama-se Tapeçaria artesanal e está a decorrer em S.Martinho de Angueira desde o dia 13/08/2009, é um curso EFA de equivalência ao 9º ano, é composto por 17 formandas e 1 formando.
O curso tem um total de 1885 horas e é promovido pela "Corane".
Tem como objectivos dar equivalência ao 9º ano e dotar os formandos de conhecimentos teóricos e práticos na área do artesanato.
O processo inicia com a montagem dos teares e preparação das matérias primas, lavagem e secagem da lã, cardação, fiação, urdir e tingimento das fibras têxteis para dar inicio aos trabalhos de tapeçaria.
obrigado Marisa Meirinhos pelas fotos e texto.
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
as minas
como toda a gente sabe temos 3 minas de estanho em samartino - codeço, raposos, junqueira. apesar de desativadas, estas foram muito importantes no desenvolvimento da aldeia e das suas gentes.

como curiosidade aqui fica um registo.
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
mineiro
pois é temos mais um habitante.

dizem que foi um artista (escultor) samartineiro a faze-lo, estamos a pesquisar para melhor informar.

é a memória de todos os que trabalharam nas minas.
sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
terça-feira, 6 de Outubro de 2009
solitárias
são flores solitárias, sem folhas que se encontram no meio dos caminhos.

normalmente encontramo-las no fim de setembro.
alguém saberá o nome?
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
para dar cabo do stock
No encerramento do verão, os "tasqueiros" do Bar da Açuda, fizeram a festa oficial de encerramento do bar no dia 19, convidando todos os presentes em samartino para uma tainada. Compareceu muita gente, como é normal, mas sentiu-se a saudade de todos os que lá estiveram no verão e que agora não puderam estar, todavia oportunidades não irão faltar.
Ficam aqui alguns momentos da "tainada" de encerramento.





P.S.: Tivemos uma informação, que dá conta que afinal ainda sobrou algum stock no bar, que possivelmente será consumido no próximo fim de semana. A ver vamos.
Pauliteiros em Toulouse
foi no passado fim de semana que os pauliteiros de samartino foram a Toulouse de França.... aqui ficam umas imagens para relatar o acontecimento.

em traje internacional_ com saia_

Foi grande a festa.

sempre muito bem recebidos ( como já era de prever)

grandes manjares com tudo o que há do melhor da cozinha francesa.

e a festa continuou pela noite dentro, como também já se previa......
vamos ver se agora os pauliteiros se habituam a estas andanças
mostrando nos quatro cantos do mundo as tradições mirandesas e samartineiras
abraço samartineiro para todos.
Obrigado Lisis.
terça-feira, 15 de Setembro de 2009
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Os moinhos de água em São Martinho de Angueira
Os moinhos de água são um fragmento importante da história da nossa aldeia. Aproveitando o potencial hídrico do rio Angueira, chegaram a laborar em simultâneo, há algumas décadas atrás, 13 moinhos de roda horizontal (rodízio). A origem desta tecnologia, para a fabricação da farinha, não é completamente consensual, apresar de haver uma certa convergência em atribuir a origem dos moinhos de roda horizontal à civilização da Grécia antiga. Provavelmente chegaram até a nossa aldeia por intermédio dos romanos e, substituíram os moinhos de roda manual, enquanto tecnologia da civilização castrense. Não são, em São Martinho de Angueira, conhecidos moinhos tendencialmente associados à difusão da tecnologia árabe, como o moinho de roda vertical (azenha) ou o moinho de vento.
Em São Martinho, a distribuição destes moinhos de roda horizontal, ocorreu desde a fronteira com Espanha (Raia) até ao limite do termo com a freguesia de Angueira(Veigas).
Uma referência interessante aos moinhos reporta-se ao ano de 1289, no reinado de Dom Dinis (oito anos antes do tratado de Alcanices -1297-). Numa procuração de 1289 do abade do mosteiro de San Martín de Castañeda (perto do lago de Sanábria) é referido que o mosteiro renunciava à posse de alguns bens que detinha em São Martinho de Angueira, mas que continuava na posse de outros, entre os quais, dois moinhos (Alves, 1984). Apesar de ser conhecida a sua existência secular, este texto será centrado num período histórico mais recente, até onde a memória dos testemunhos pode chegar.
Descrição dos moinhos
Muito se poderia dizer dos moinhos, mas ficam alguns aspectos essenciais da sua história recente. Serão descritos de montante para jusante. Abordando essencialmente a sua localização, os proprietários e o seu estado de conservação.
O moinho da Raia
A cerca de 200 metros da fronteira surge o moinho da Raia, herdando a designação da toponímia local. Mas foi também conhecido por vários outros nomes. Foi conhecido como “molino de las três rodas”, pelo facto de possuir três mós. Existiu também a designação de “molino dals Rios”, pelo facto da família que o explorava ter uma origem paterna na aldeia de Gallegos del Rio (em Espanha). Também é conhecido por “molino de tio Zé Abílio (Rio)”, descendente da referida família que ficou com ele por herança. O último moleiro foi o tio Ablino Vasco, que o manteve em laboração até aos finais da década de 1960. O edifício de um só piso possuía duas divisões independentes, uma onde funcionava o moinho e outra que servia de estábulo para os animais que transportavam os cereais e tinham de pernoitar no moinho. Frente ao moinho, mas do outro lado do caminho situa-se a casa de morada. A casa era caiada e constituída por dois pisos: o rés-do-chão onde funcionava um tear e o primeiro piso, de habitação. O moinho e a casa de morada estão em ruínas, possuindo ainda as paredes. Os telhados do moinho e da casa de morada parecem ter sido retirados. Como curiosidade possuía este moinho, na porta de entrada, a marcação do nível das cheias que o atingiram. A altura marcada era superior a um metro.
“Molino de la raia”

O moinho dos Portos
Deste moinho chegou até nós o açude, praticamente destruído na década de 1990, por uma cheia mais enérgica e ainda não foi reconstruído. Situava-se o moinho nos Portos, no conhecido lameiro de tio Sapateiro. O edifício do moinho era pequeno e de um só piso e albergava também a família que o explorava. Não restam vestígios da construção deste moinho, porque a pedra foi transportadas para outras construções. É, contudo, identificável a linha de água. Na década de 1950 foi moleiro Artur Cordeiro, mais conhecido como tio Artúrio.
Moinho de tio Luciano
Este moinho é também conhecido por “molino Pirç”. O edifício de um só piso está em ruínas e o açude foi destruído pela mesma cheia que destruiu a anterior, mais a montante. Este açude também não foi ainda reconstruído. O último moleiro foi o tio Luciano, que lá trabalhou até velhinho. A denominação mais antiga de molino Pirç (Pires), que detreminou a toponímia local, poderá indicar que, provavelmente, o moinho foi propriedade de alguém com esse apelido. A “caliendra” está bem identificável, apesar de estar coberta por vegetação.
O moinho do Queimado
É também conhecido por “molino de tio João Ferreira”. O edifício do moinho era de um só piso e servia também para albergar a família que o explorava. São ainda visíveis as ruínas, junto à ponte do queimado. A família do tio João Ferreira foi a última a laborar neste moinho. Este senhor casou com a mãe de tio Polícia e tio Gaiteiro que aí foram moleiros. Tinha este moinho a particularidade de, ao contrário dos outros, não possuir cubo de armazenamento de água. A pedra granítica, de grandes dimensões, na qual foi esculpida uma caleira que conduzia a água ao “rodiezno” foi retirada e encontra-se hoje ao lado do moinho de Maria Alves. O açude foi reconstruído em cimento pela junta de freguesia. A “caliendra” é ainda bem visível frente às hortas do queimado.

Caleira do moinho do queimado
O moinho de Ramos
Também conhecido por “molino de tio Alberto”. O edifício pequeno, de um só piso, servia para albergar a família do moleiro. São ainda bem visíveis as ruínas deste moinho apesar de estarem cobertas por vegetação. O açude é ainda visível, mas está praticamente destruído. Situa-se este moinho ao lado do açude da Galiana (que armazena água para regar as hortas situadas no local com o mesmo nome). Foi o último moleiro o tio Alberto, pai de João Alberto (marido da tia Bubiana). Provavelmente algum proprietário anterior deveria ter o apelido de Ramos, que deu o nome ao moinho e à toponímia local (hortas do moinho de ramos).
O moinho Grande
Este situa-se na base da encosta de urrieta-al-grande. O moinho foi até aos finais da década de 1940 um moinho comunitário. Era propriedade da aldeia e as pessoas podiam moer sem pagar a “maquila” (maquia). Cada família da povoação que quisesse utilizar o moinho tinha de contribuir com determinadas horas de trabalho para a sua manutenção, desde o picar da pedra até à reconstrução e limpeza do açude. Tinha este moinho a particularidade de possuir pedra de granito para moer, enquanto os outros utilizavam já na década de 1940 pedras de calcário. Este moinho foi comprado no final da década de 1940 por Serafim Fernandes (pai de tia Martina e de Gonçalo, entre outros filhos), que o reconstruiu, amplificou e substituiu a pedra granítica por calcária, menos propensa a soltar grãos de areia. O edifício está em ruínas, mas possui ainda as paredes. O açude deste moinho foi reconstruído, em cimento, pela junta de freguesia e situa-se frente às hortas da Galiana.
O moinho de Maria Alves (Marea Albç):
É também conhecido por “molino de tio Cutinhas”. O edifício de um só piso servia também de casa de morada. Situa-se hoje dentro da aldeia, junto à casa da junta de freguesia, ao fundo da Canhada. São ainda observáveis as paredes em ruínas. O açude foi reconstruído, mas está a necessitar de nova intervenção. Teve como último moleiro o tio Artúrio, no início da década de 1950, tendo terminado aí a laboração, indo o tio Artúrio, para o moinho dos Portos, como já foi referido anteriormente.
O moinho de tio Torrado
Este moinho era anteriormente conhecido como o moinho dos Bernardos. O moinho situa-se na base da encosta do cabeço-adroso. Pertenceu até a década de 1930 à família do tio Bernardo (família com vários irmãos, entre outros, o tio Zé Bernardo e o tio Agostinho Bernardo (este já falecido). Este moinho foi comprado ao tio Bernardo, por tio Joaquim Torrado, entre as décadas de 1930 e 1940. Tio Torrado amplificou o edifício do moinho integrando-o na casa de morada. Amplificou o cubo e a “caliendra”, tendo criado, no início da década de 1960, uma moagem suportada por motor de explosão, substituído alguns anos depois, pela energia eléctrica. O moinho funcionava a água no Inverno e, nos meses de verão, funcionava a moagem a electricidade.
O moinho de Tio Alexandre
É muito conhecido por “molino de candelas”. O moinho situa-se na base norte da encosta do castro. O edifício é pequeno e de um só piso. Frente à porta de entrada do moinho, do outro lado do carreiro, situava-se a casa de morada. É provável que o nome candelas, atribuído ao moinho e ao açude (çuda de candelas), tenha origem em Candelas (candeias em latim). Existiu no castro uma capela dedicada à Senhora das Candeias (ou Senhora da Luz). Vestígios da capela surgiram há uns trinta anos, quando o castro foi lavrado pela primeira vez com tractor. Com cuidado, encontramos ainda hoje, vestígios da argamassa de construção dessa capela.

“Molino de tio Alexandre”
Foram os últimos moleiros o tio Alexandre Ribas e sua mulher, a tia Vicência. Felizmente este moinho já foi sujeito a algum tipo de recuperação do edifício. Atitude que é de louvar. Tanto o edifício do moinho como o açude encontram-se em estado razoável de conservação.
Os moinhos dos Terrones
O moinho dos Terrones foi também conhecido por “molino Curral”. Na realidade não se trata apenas de um moinho mas sim de dois contíguos, que pertenciam a famílias próximas. Situam-se estes moinhos frente ao castrelhón, mas do outro lado da ribeira. Os moinhos eram alimentados pelo açude “dals terrones” (ao fundo de Adroso). Estes moinhos utilizavam o mesmo açude e a mesma “caliendra”. Quando a água escasseava, era utilizada em alternância. Têm estes moinhos a particularidade de possuir o canal (caliendra) de maior cumprimento, percorrendo todas as antraugas. O primeiro, mais de cima, pertenceu na primeira metade do século XX ao tio Ablino Alves (Ablino Terrón), tendo sido o último moleiro o tio Zé Luís Dominguinhos.
O moinho contíguo pertenceu na primeira metade do século XX ao pai do Padre Manuel Preto. Existia no mesmo edifício do moinho um pisão (pisón), para a confecção final dos tecidos de pardo e de xerga. O pisão deve ter deixado de laborar antes da década de 1940, fazendo deslocar as gentes de São Martinho ao pisão mais próximo, em São Joanico. O último moleiro deste moinho foi o tio Abel Terrón, que mesmo depois de se mudar para aldeia continuou, durante algum tempo, a levar grão para moer.
O edifício dos moinhos encontra-se em estado de conservação razoável. O edifício dos moinhos foi sujeito a algum tipo de recuperação, visível do exterior, nas janelas, entrada e telhado. As casas de morada situam-se do outro lado do caminho, na base do “cabeço-dal-pisón”. As casas de morada são casas de dois pisos. A mais de cima (dos proprietários do primeiro moinho) tinha um “cabanhal” à entrada, com escadas para o primeiro piso e sofreu, há perto de duas décadas, um incêndio que a destruiu. A casa de morada seguinte parece estar em estado de conservação aceitável.

Molino dals Terrones
O moinho dos Xanolas
Foi anteriormente conhecido por “molino de la pinta” e também por “molino dals torrados”. O moinho teve o nome de moinho dos torrados pelo facto de ter sido adquirido por um senhor de apelido Torrado, natural Ifanes e pai de Joaquim e Manuel Torrado. Foi nesse moinho que tio Joaquim Torrado aprendeu as lides de moleiro, antes de adquirir o moinho dos Bernardos. Situa-se este moinho depois das Peinhas-de-gordo. O moinho foi depois adquirido por João Meirinhos (tio Xanola). Foram também moleiros os filhos deste casal, Ablino e Manuel Xanola. O edifício é de dois pisos, funcionando o moinho no rés-do-chão servindo o primeiro piso de morada. O estábulo situava-se do outro lado do caminho e aproveitava a concavidade de uma rocha para servir de parede. O edifício foi, recentemente, parcialmente reconstruído, mas foi alterado na sua traça original. O açude encontra-se razoavelmente conservado.
O moinho de Veigas
Também conhecido como “molino de tia Adília”. Este moinho situava-se em Veigas, no limite do termo de São Martinho e de Angueira. O açude encontra-se conservado porque foi reconstruído para beneficiação das hortas de veigas. O edifício era pequeno e de um só piso, mas dele não restam vestígios. Adquiriu o nome de “molino de tia Adília” por ter sido a mãe da última família que o explorou. Foi aí que se iniciou na actividade de moleiro o tio Artúrio, o mais velho dos irmãos. Os outros irmãos são a tia Isaura (mulher de tio Bispo) e o tio Diamantino “Molineiro”.
A actividade dos moinhos
A existência de treze moinhos a funcionar em simultâneo em São Martinho mostra bem a dinâmica de uma aldeia e a importância que esta desempenhava para a economia agrícola da região. Os moinhos eram também espaços de convívio, de conhecimento de pessoas e fonte de notícias sobre que se passava por outras terras. Recebiam gentes de muitas aldeias que traziam os burros carregados de sacos de grão para moer. A actividade destes moinhos ficou documentada pelo padre Manuel Preto, no seu livro Bersos Mirandeses, ao descrever o moinho dos Terrones:
Gente de Samartinho,
Avelhanoso u Angueira,
La Zpeciosa e Zenízio,
La Prôva e Infainz,
Cicuiro e Costantim,
Vêlhos, moços e moças.
Era um ir e venir
Que num tenê parar,
Que num tenê fim (p. 78).
Os moinhos mais a norte recebiam clientela das aldeias mais junto à fronteira que, por veredas e caminhos, afluíam de Avelanoso, de Cicouro, de Constantim, de Ifanes e de Paradela.
As datas em que terminaram a laboração não são fáceis de definir com exactidão. Se algum moinho deixou de laborar em data bem definida, a desactivação da maior parte foi gradual, continuando operacionais durante algum tempo, mas de utilização mais esporádica.
O primeiro a deixar de laborar parece ter sido o de Veigas, em 1951, sendo o último moleiro o tio Diamantino “Molineiro” que, apesar de não ter enveredado pela profissão, herdou a alcunha do pai, conhecido por tio Zé “Molineiro”. Vários deixaram de laborar nessa década, como o de Maria Alves, o moinho de ramos, o do queimado (1954) e o dos portos. O moinho grande foi também diminuindo a sua laboração, ficando inactivo em 1960. Outros continuaram a sua actividade até finais da década de 1960, como os moinhos dos Terrones (fechando primeiro o de cima e depois o de baixo), o de tio Luciano e o da raia. Na década de 70 encerrou o de tio Alexandre e, na década de 1980, o dos Xanolas, apesar de ter continuado operacional até a década de 1990. O moinho do tio Torrado é o único moinho da aldeia que ainda permanece em laboração, mantido pela tia Elisa, com 84 anos de idade.
Algumas considerações
Terminada a função nobre que desempenharam, porque ultrapassados em tecnologia e alterados os modos de vida para os quais serviam de suporte, não deixam de ser um fragmento importante da nossa história, que devemos conhecer e recordar. Todos eles encerram histórias de vida de muitas famílias de são Martinho que, com muita dedicação e muitas canseiras, elaboravam a matéria prima para a confecção do pão. Mereciam ser reconhecidos como património da aldeia.
A recuperação de alguns moinhos seria um bom tributo à memória dos moleiros e à história da aldeia. Se a recuperação dos mais próximos da aldeia poderia ter uma função mais pedagógica, alguns deles, os que possuem casa de morada, apresentam potencialidades eco-turísticas interessantes, quer pelo enquadramento paisagístico, quer pela evasão que podem proporcionar, em tempos de vida cada vez mais agitada e desligada da natureza. Seria uma forma de valorizar uma das potenciais vertentes que nos oferece o rio Angueira e que os nossos antepassados, mais do que nós hoje, souberam aproveitar.
Documentos consultados:
Alves, F. M. (Abade de Baçal) (1984): Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança. Vol. 3. Tipografia Académica.
Preto, M. (1993): Bersos Mirandeses. Escola profissional de Stª Clara: Vila do Conde.
Nota: este trabalho foi essencialmente baseado na auscultação de testemunhos. É provável que alguma da sua informação se possa precisar com a auscultação de outros. Toda a informação é passível de ser ampliada e melhorada com outros contributos.
Manuel Florindo Alves Meirinhos
as festas na associação
chamam-lhe diversos nomes.....
mas é a nossa associação onde temos festas de arromba, a diversão e boa disposição não para até de madrugada.
aqui vai uma pequena amostra:




os nossos djs residentes- djPinho e djmeirinho -com estilos diferentes mas sempre com boa vontade de nos aturar.....

para mais imagens visite uma das nossas festas.
sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
paquito
Paquito, animador por excelência, companheiro.

tinha-mos que lhe dedicar uma mensagem pois onde ele está está a alegria e boa disposição

está sempre em grande e este verão como não podia deixar de ser esteve sempre presente

mas olha.... és de alguma ceita? ou será apenas boa disposição.......
abraço samartineiro
quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
jantar da vaquilha
pois a vaquilha não correu pelas ruas da aldeia como estava previsto....talvez para o ano, 2010 é uma boa colheita de vaquilhas.....
mas eles são barbaros com ou sem vaquilha fizeram o jantar...
e que preparativos

cada um com sua caixa de vinho..iam prontos para a pega de cernelha.

o chefe jantou com a ceita

e pelo intermédio...... a foto de familia..pois a altas horas as fotos são proibidas.
a tradição cumpriu-se, só fizeram falta aqueles que estiveram presentes.
para o ano há mais com ou sem vaquilha a correr ou já em postas a samartineiro.
anos de seca
olá,
Aqui vão algumas fotos da nossa terra, que mesmo em tempo de seca,
conserva alguns sobreviventes...até quando?
suda da negra
galiana
galiana sobreviventes
sobrevivente





















